SEJA SEGUIDOR E FORTALEÇA NOSSO TRABALHO DE INFORMAR

You want to access my blogger and would appreciate any information about any subject can put what I will do my best to answer. Whether you live in: United States, Germany, United Kingdom, Pakistan, Portugal, Angola, Canada, Malaysia, Mozambique, Netherlands, Denmark, Russia, Morocco, United Arab Emirates, Or anywhere else in the world. I'll be here to help you. hugs Angela Alcantara

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

'Foram dias dramáticos', conta ex-assessor de Gorbachev sobre golpe


BERLIM - Foram dias de um drama que "poderia ter terminado em catástrofe", diz ao GLOBO Karen Karagezyan, um dos três assessores de imprensa de Gorbachev na época da tentativa de golpe. Moscovita de 76 anos, Karagezyan começou a trabalhar em 1983 com Gorbachev, antes de este assumir o poder no Kremlin, e continuou como vice-presidente da Fundação Gorbachev de Estudos Políticos e Socioeconômicos.
Como o senhor tomou conhecimento do golpe contra Gorbachev, no dia 19 de agosto de 1991?
KAREN KARAGEZYAN: Dos três assessores de imprensa de Gorbachev, eu era o único que não estava de férias. Eu vi pela TV, já às 6h30m, o comunicado sobre a situação extraordinária. O ponto que mais me chocou foi a declaração dos autores do comunicado de que Gorbachev estaria bastante enfermo. Eu achei isso muito estranho porque tinha estado com ele dias antes da sua viagem para a Crimeia. Não havia nenhum sinal de doença ou mesmo de indisposição. Ninguém sabia direito o que tinha acontecido. Na TV, de vez em quando a transmissão era interrompida para a repetição do comunicado de que o vice-presidente Gennady Yanayev assumiria o poder no lugar de Gorbachev. Nesse momento, começamos a perceber que era a Nomenklatura (grupo privilegiado do aparato do Partido Comunista), insatisfeita com a política de reformas de Gorbachev, que queria a volta do regime ditatorial.
Houve o perigo de uma guerra civil?
KARAGEZYAN: A situação foi extremamente perigosa. Foram dias de choque e incerteza, ias dramáticos que poderiam ter terminado em uma catástrofe. Foram também dias que mudaram o mundo .Nós estávamos terrivelmente preocupados sobre o que tinha acontecido com Gorbachev. Ele, a esposa, Raisa, a filha Irina, seu marido Anatoli, e as duas netas, Xenia e Anastasia, estavam todos na Crimeia, e incomunicáveis. Mais tarde, conversei com a minha secretária e concluímos que os golpistas tinham apenas uma minoria atrás de si. A maioria dos 90 milhões de membros do partido comunista tinha a convicção de que a perestroika criada por Gorbachev era tão forte que a era sombria de Stalin ou de Brejnev nunca mais voltaria. Para responder a sua pergunta: A situação era explosiva e tivemos muita sorte de não acontecer o pior, o que foi possível porque as forças armadas terminaram não apoiando os autores do golpe.
Como a era Gorbachev é vista hoje?
KARAGEZYAN: Ele é respeitado, mas muitos que faziam parte da Nomenklatura e perderam o status quo veem Gorbachev de forma negativa. O que Gorbachev fez na União Soviética foi, de certa forma, uma revolução pacífica. Ele introduziu a primeira eleição livre em mil anos de História da Rússia. Pessoas que atuavam no setor militar também não ficaram satisfeitas e apontam Gorbachev como se ele fosse um bode expiatório, porque ele acabou com a Guerra Fria e com a corrida armamentista. Mas a maioria o admira.
Qual foi o papel de Boris Yeltsin na resistência aos golpistas?
KARAGEZYAN: O papel de Boris Yeltsin como o líder dos protestos contra os golpistas foi undamental. Sem essa atuação decisiva, o comitê talvez tivesse conseguido alcançar a sua meta. Não sei dizer. Mas depois o seu papel foi decisivo também no fim da União Soviética. Eu me encontrei com Gorbachev de novo no dia 22 de agosto, após o seu retorno da Crimeia. Ele estava com uma aparência bastante abalada. Ele fez um pronunciamento no parlamento afirmando que a tentativa de golpe do comitê era um crime de Estado. E lutou desesperadamente para salvar a União Soviética. Mas já era tarde demais para isso.
Na sua opinião, depois do golpe era ainda possível salvar a União Soviética?
KARAGEZYAN: A União Soviética poderia ter sido salva mas nunca mais voltaria a ser o que tinha sido antes, um país com um sistema de comando administrativo totalitário que causava uma paralisia da economia. Já na época de Nikita Kruschev tinha havido uma tentativa leve de democratização mas com a subida de Leonid Brejnev ao poder a brisa fraca de reforma foi banida para a volta do stalinismo. Gorbachev lutou até o final. Ele queria mais liberdade e mais autonomia das repúblicas mas nunca havia contado com o seu fim. Ele apresentou uma proposta para um novo tratado estatal que foi aceito pelas repúblicas, até as do Báltico. Mas Boris Yeltsin fez tudo para que não desse certo. A sua meta era substituir Gorbachev como o número 1. Com a ajuda da Ucrânia ele conseguiu frear o plano de Gorbachev de preservação da união com reformas. Estávamos em estado de choque e paralisados.
Gorbachev opina ainda sobre a política russa ou das ex-repúblicas soviéticas?
KARAGEZYAN: Sim, mas isso ele o faz como analista da Fundação Internacional de Estudos Políticos e Sócio Econômicos, que fundou em 1992. Nessa posição, por exemplo, ele criticou o excesso de monopólio do partido do governo, que é quase como antigamente eram os comunistas. Assim mesmo, ele é muito respeitado pelo primeiro ministro Putin e pelo presidente Medvedev. No inicio deste ano, ele foi condecorado com a ordem mais importante da Rússia.
Quais são os principais problemas da Rússia hoje?
KARAGEZYAN: Há muitos problemas que decorrem do fato de que o processo de modernização ainda não foi concluído. Estamos agora em um momento crucial e os próximos cinco ou seis anos serão decisivos. Eu vejo com preocupação também a existência de dúvidas sobre a correção nas eleições.
Como o senhor vê o grupo dos BRICs, do qual participam, entre outros, a Rússia e o Brasil?
KARAGEZYAN: Esse grupo é muito importante. Depois da desintegração da União Soviética, o mundo correu o risco da existência de um monocentro, um mundo onde apenas um país, os Estados Unidos, eram um grande líder ou superpotência. Mas o mundo hoje não precisa de uma única superpotência mas sim de parceria. A idéia de que os mais fortes são os melhores no mundo foi superada. Com esse tipo de alianças, como com o BRICs, a Rússia consegue recuperar um pouco da influência que tinha na época soviética.

Nenhum comentário:

Postar um comentário