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quarta-feira, 14 de março de 2012


A FALTA DO SOL E A SUA VITÓRIA


Era uma vez, numa terra muito, muito longínqua, uma cidade onde estava sempre chovendo, chovendo e chovendo; com chuvas torrenciais todo dia, todos os dias, durante anos e anos. E ali, vivia um menino pequenino, numa casinha na montanha, com o seu papai e o seu cãozinho.
Tinha quatro anos, vejam bem, são quatro anos, e todos os dias da sua vida tinha chovido durante todo o dia e toda a noite.
Podes imaginar como é estar sempre a chover e sempre úmido?
As pessoas estavam sempre a dizer-lhe que, antes dele nascer, tinha havido uma coisa estranha que se chamava Sol. O sol era uma coisa grande, redonda e amarela, que dava calor e luz a tudo e a todos. A cidade era feliz. As pessoas tinham sempre um sorriso, o sol brilhava ajudando a tudo e a todos, com sua cara grande, redonda e amarela.
O menino pequenino não podia imaginar na sua mente a ideia de uma coisa grande, redonda, amarela e sorridente que conseguia fazer as pessoas felizes. E não podia acreditar que as pessoas pudessem olhá-lo e sorrir, porque na sua aldeiazinha ninguém sorria, todos pareciam muito tristes, viviam infelizes, sempre faltando algo.
Um dia, as pessoas começaram a comentar que o céu parecia um pouco mais claro. As pessoas da cidade se formavam em filas, com blusas coloridas, sem os casacos pesados. E ele pensava: - o que fazem nessa fila? – muitos falavam: - queremos o sol! – e ainda estava chovendo e as negras nuvens ainda estavam pairando no céu, mas era verdade que parecia mais claro.
No dia seguinte, as pessoas começaram a comentar “o Sol vai voltar, vamos aguardar o resultado”, mas nesse dia estava chovendo menos.
No dia seguinte, só choveu metade do dia.
No outro, apareceu um homem falando para todos, “o Sol ganhou”. Só houve uns poucos chuviscos, e as janelas gotejavam de vez em quando.
E no outro, deixou de chover; no seguinte, todas as nuvens eram de cor branca. Um dia mais e apareceram pedaços de céu azul.
De repente, não havia nem uma nuvem, e uma coisa grande, redonda e amarela estava pairando no céu, dando calor e luz a todos.
E as pessoas olhavam para cima e sorriam ao vê-lo, porque tinha um enorme e radiante sorriso. E a cidade voltou a ser feliz. Empregos, escolas, saúde, transportes e tudo o mais necessário para uma vida feliz.
E o menino pequeno sentou-se na sua cama e viu, através da janela, uma coisa de que só tinha ouvido falar em histórias que podiam ser contos. Uma coisa grande, redonda e amarela no céu com grande sorriso na cara. Isso deve ser o Sol! Disse o menino, devolvendo-lhe o sorriso. E corre pelas ruas, vendo que toda a cidade estava sorrindo.
E agora... Foi dormir, sonhando com o amanhã.
DORMIR! DORMIR COM O SOL!

Um comentário:

  1. Olá.
    O sol tem raios.
    E sinto tanto que nesta cidade , a comunicação parece ser difícil.
    Veja a questão dos professores - que têm mesmo que ganhar bem e ter mais autonomia para trocarem sentimentos e criarem vínculos com os alunos.
    Neste momento, só na sala de aula professores e alunos, ambos lesados pelo sistema, podem juntos, minorar o sentimento de menos valia que é de ambos.
    Sim alunos são difíceis - nessa geração criada com a quantidade de informação desde pequenos, o ensino é entediante mas isso é coisa que só o professor junto com os alunos , trabalhando a matéria com a inteligência emocional, pode amenizar .
    Em todas as questões, parece que chove na alma das pessoas nesta cidade - pedra mas que não foi feita para ser assim.
    Montanhas sem eco - é o que temos.
    A senhora que escreveu essa estória lindinha é um raio, eu sou outro e cada cidadão deveria se sentir um raio mas parece que a maioria prefere mesmo se esconder ou entre nuvens ou entre montanhas.
    Cuide-se porque a mim interessa que a senhora continue sendo raio onde está como profissional, afinal, tenho os guris lá.
    Raio de muitos sóis - assim são os professores - tão diversa é a questão do hoje no sentimento vosso, dos vossos colegas e principalmente dos vossos alunos - que como crianças e adolescentes, entendem de hojes e de raios como ninguém.
    Mas entendi tudo.

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